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11.2.07

Clamando no deserto

Diz o texto sagrado em Mateus capítulo 3:

Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judéia e dizia:

Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.
Porque este é o referido por intermédio do Profeta Isaías:

Voz do que clama no deserto:
Preparai o caminho do Senhor,
endireitai as suas veredas.

Quando me deparo com uma situação que, a meu ver parece irreversível e grande demais
para ser alterada, e que as minhas palavras parecem ser tão pequenas para confrontar tal obstáculo, lembro-me de como deve ter sido difícil para João Batista pregar o arrependimento de pecados para a chegada do Messias Prometido ao povo de Israel!

Nesses dias que se passaram soube da triste notícia que abateu o meu coração e que também deixou consternada toda a nação: a morte brutal do garotinho João Hélio Fernandes de apenas
6 anos de idade.

É um caso que reflete uma das mais terríveis espécies de violência contra o ser humano, e
que não conseguimos acreditar até onde tem chegado o nível de sadismo e brutalidade.

Podemos aqui também relembrarmos do homicício que revoltou o País, quando bandidos
prenderam uma família toda dentro de um carro e atearam fogo, matando-os de maneira
perversa e cruel.

Como cidadãos brasileiros, todos os dias temos sido bombardeados com notícias de
violência sobre violência, crueldade sobre crueldade... e nos calamos, parece até que
aceitamos, pela nossa inércia, pela nossa pouca força.

Pagamos nossos impostos, declaramos nossos bens ao Fisco e deveríamos ter, ao menos,
uma legislação mais dura e eficiente em tais casos.

Não me conformo com as leis brandas do nosso País que prendem e, logo em seguida soltam
criminosos dessa espécie, muitas vezes pior do que quando entraram!

Nosso sistema prisional deveria ter condições de reeducar o prisioneiro, e de manter os
irrecuperáveis em prisão perpétua - (sistema prisional utópico no Brasil de hoje) - para nossa
segurança e a de nossos queridos.

Parlamentares se preocupam em votar o próprio aumento de salários, mas nem cogitam
em aumentar os recursos para a Segurança Pública ou modificar a legislação obsoleta
que não corrige e nem acrescenta melhorias para a população.

E assim, continuamos indignados, porém não passivos!

Faço minhas as palavras do grande Martin Luther King:


"O que me preocupa não é o grito dos maus.
É o silêncio dos bons"


Vale a pena continuar nessa luta, sem desistir ou desanimar -
mesmo que para isso, assim como foi com João Batista -
tenhamos que clamar no deserto!


(Denise Warto - 11 de Fevereiro de 2007)